As coisas que não nos ensinam na escola

Se pudéssemos parar por uns minutos e anotar as cinco coisas que gostaríamos de ter aprendido na escola e que nada têm que ver com o nível académico, quais seriam? Imagino imensas possibilidades: — lidar com um coração partido; — Como ser uma boa mãe/pai; — Ultrapassar a morte de alguém querido; — Comunicação; —Expectativas frustradas; — Falta de significado ou de sentido. Ou aquilo que lhe passar pela cabeça ao ler este artigo. Esta é uma reflexão que cada um de nós pode pôr em prática e encontrará os seus próprios temas. A vida não acontece de forma igual para todos.

Percebemos, rapidamente, que é fácil que nos sintamos, todos, pouco preparados para um trabalho novo, ou para lidar com temas do foro emocional ou relacional. Comum à maioria de nós será também, a vontade de nos sentirmos crescidos, autónomos, independentes e sobretudo — Preparados.

Como o autor de um grande romance nos propõe é difícil saber viver, uma vez que chegamos à existência sem preparação prévia: “Não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado.”

E se pararmos, novamente, para pensar, não chegámos às experiências mais duras preparados para ultrapassá-las, na realidade, aprendemos por tentativa e erro, com maior ou menor facilidade, com competências ou sem elas, e às vezes, à custa de muito dano emocional em nós e nos outros.

A verdade é que todos nós em algum momento na vida desejámos muito que alguém tomasse as rédeas da nossa vida e decidisse por nós. Seja pela falta de coragem ou, simplesmente, pela dificuldade, natural, em conhecer, previamente, os caminhos mais saudáveis e com resultados -mais- positivos.

Mesmo sabendo que todo o ser humano se encontra, frequentemente, entre encruzilhadas e obstáculos, parece que nascemos a exigir de nós próprios um conhecimento de tudo, mesmo quando enfrentamos uma situação pela primeira vez. Por que razão temos uma tendência para nos isolarmos dentro de um problema e excluírmos outras formas de olhá-lo? Porque é que fugimos tanto das dores que nos assolam? Da partilha dessas dores? Porque é que fugimos da vulnerabilidade?

É verdade que não nos ensinam tudo o que gostaríamos de saber na escola, nem isso seria possível, mas pergunto-me em que situações da vida aprendemos que temos de ser sempre capazes, e sobretudo, capazes sozinhos.

Importa salientar, para que nunca nos esqueçamos, que temos à nossa disposição a matéria-prima mais preciosa de que é feita a resolução de problemas: pessoas e relações de partilha.