Quantas vezes sentimos o coração acelerar sem justificação aparente? Quantas vezes a mente é invadida por um “e se…” que nos impede de desfrutar o momento presente?

Percebemos que, na sociedade contemporânea, vivemos num estado de alerta constante. Somos bombardeados por estímulos, prazos e expectativas que mantêm o nosso sistema nervoso numa vigília que não parece parar. A ansiedade, que originalmente servia como um mecanismo de sobrevivência para nos proteger de predadores, transformou-se, para muitos, num ruído de fundo ensurdecedor que condiciona o nosso bem-estar.

Não se trata de eliminar a ansiedade, uma vez ela faz parte da singularidade humana, mas sim de aprender a regular o seu volume para que não se torne a principal protagonista da nossa história.

Entender a Ansiedade: O alarme avariado


Como já referimos, a ansiedade não é, por definição, uma inimiga. Segundo a American Psychological Association (APA), a ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de tensão e pensamentos preocupantes, acompanhada por alterações físicas [1]. É o corpo a preparar-se para agir.
O problema surge quando este "alarme" dispara na ausência de perigo. Quando o nosso corpo nos diz que estamos em perigo numa reunião de trabalho, num jantar de amigos ou no silêncio do nosso quarto. Nesses momentos, a resposta de "lutar ou fugir" é ativada desnecessariamente e acaba por desgastar o corpo e a mente.

Retomar o Controlo


Na psicologia clínica, não trabalhamos com "pensamento positivo" mágico, mas sim com técnicas baseadas em evidência que ajudam a recalibrar o sistema. Destacamos três pilares fundamentais:

1. O Corpo: A âncora da Respiração
Quando a ansiedade dispara, a respiração torna-se curta e torácica. A técnica de respiração diafragmática (ou abdominal) envia um sinal direto ao sistema nervoso parassimpático de que "está tudo bem". Não é apenas relaxamento, é fisiologia pura: ao abrandar a expiração, forçamos o ritmo cardíaco a desacelerar.

2. A Mente: Reestruturação Cognitiva
A ansiedade alimenta-se de cenários catastróficos. A reestruturação cognitiva, central na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), convida-nos a agir como cientistas dos nossos próprios pensamentos. Em vez de aceitarmos o pensamento "Não vou conseguir e vão gozar comigo" como uma verdade absoluta, aprendemos a questionar: "Que provas tenho disto? Estarei a confundir um facto com um medo?".

3. O Comportamento: O paradoxo da Exposição
O instinto natural perante a ansiedade é evitar o que nos assusta. Se tenho medo de conduzir, deixo de conduzir. O problema é que o evitar encarar estas situações alimenta a ansiedade a longo prazo. A exposição gradual, feita de forma segura e acompanhada, ensina ao cérebro que a situação temida é, na verdade, suportável.

Quebrar o Silêncio: No trabalho e em casa


Como sociedade, ainda carregamos um estigma silencioso em relação à saúde mental. Desconhecemos, muitas vezes, como comunicar o nosso desconforto sem parecer "fracos" ou "incompetentes".

No Trabalho: Comunicar ansiedade não significa dizer "não consigo fazer". Pode significar gerir expectativas: "Para entregar este projeto com a qualidade habitual, preciso de reajustar o prazo ou de um ambiente mais silencioso hoje".

Em Casa: As famílias beneficiam quando a ansiedade é nomeada. Dizer "Estou a sentir-me ansioso hoje, preciso de 15 minutos de silêncio para me regular" é mais saudável do que reagir com irritabilidade a quem amamos.

Quando procurar ajuda especializada?


A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que as perturbações de ansiedade são as mais comuns a nível global [2]. Deves considerar uma avaliação clínica quando:
A ansiedade é desproporcional à situação real;
Existe uma interferência significativa no sono, apetite ou concentração;
Começas a evitar lugares, pessoas ou situações que antes te davam prazer.

Não caminhes sozinho


Sentir ansiedade não te define como pessoa. A sensação de descontrolo pode ser avassaladora, mas a recuperação é possível e o autoconhecimento é a chave.
Deves procurar encontrar, na relação terapêutica, um olhar externo e seguro que te permita vivenciar cada fase de forma saudável, aprendendo a distinguir o alarme falso do perigo real.
Se sentes que a ansiedade te está a limitar o dia a dia, então encontras na Clínica Hippocampus, em Lisboa, uma equipa preparada para te ajudar a encontrar ferramentas de regulação emocional.

Referências Bibliográficas


[1] American Psychological Association (APA). (n.d.). Anxiety. Disponível em: https://www.apa.org/topics/anxiety
[2] World Health Organization (WHO). (2022). World mental health report: Transforming mental health for all. Genebra: World Health Organization. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240049338